Pessoas acreditam em fadas e papai noel até serem acometidos pela razão. Mas qual a razão da razão? Será que ela nos deixa melhor? Eu sempre tive minhas convicções e sempre acreditei (e acredito) que o amanhã é algo melhor que hoje. Eu espero o amanhã desde criancinha (desde muito novo eu observo o mundo) eu vi os que não puseram (e não põem) fé em mim e a falta de fé faz muito mal aos olhos das crianças, mas sempre foi interessante observar a firmeza dos que sempre creram por mais que fosse difícil. Ah eu vi os amanheceres e as auroras de forma a analisar o quanto os dias podem ser ou não iguais, pois se observarmos de forma atenciosa, veremos que um dia quando é pra ser especial, o é desde as primeiras horas. Sempre que a primavera se inicia espera-se flores e amigos, a beleza cúmplice das rosas parece conspirar para que o universo haja de uma forma especial. Quem esteve desesperançado ganha um novo Fôlego e se reergue, intelectuais descobrem e inventam coisas úteis, letrados escrevem novas estórias de amor, os trabalhadores ganham vigor de uma nova luz a brilhar pois desde sempre a primavera é a estação da concepção. Meus sonhos serão verdade se eu os planejar quando a primavera chegar, talvez até seja brindado com um amor... eu gosto mesmo da primavera.... sem o frio triste estático do inverno e sem a loucura hedonista e luxuriosa do verão. Mas algo está a faltar... que será?
O outono
Aquela estação que faltava. Será que vivemos o outono ou choramos apenas o fim das outras estações? Pois sim, é a estação das folhas secas e do recolhimento (eu sei que abaixo da linha do equador isto é utopia) mas eu gosto das coisas bem organizadas e bem separadas o bastante para que se possa fazer uma análise produtiva. Eu gosto quando os pagãos dizem que o outono é a fase em que se prepara para o renascimento antes da morte, eu gosto da história que se conta do mundo pronto para outra, nem que ela seja só jogada de marqueting e até deve havido um tempo em que tudo era motivo para piada... mas hoje tudo é motivo para ganhar riqueza, até o choro de um amigo. Livros de auto-ajuda vendem uma barbaridade, palestras são lotadas e nem vou citar a vendagem de antidepressivos. Quem foi que achou que a dor do próximo era rentável? - isso é uma covardia! - o ombro amigo está polido o bastante para acomodar a todos desde que você tenha como pagar. Como eu disse já no início, gosto de analisar as coisas – não importa o que seja, desde o mecanismo que faz as formigas levarem embora um pedaço de pão largado na mesa até a cabeça daqueles que me puseram nesse mundo. Às vezes até analiso a mim mesmo, mas aí é difícil e causa um desgaste um pouco estranho. Mas o que nem todos sabem é que temos um poder não conhecido sobre nós mesmos, todos temos a chave para solucionar nossos problemas. Eu sabia disso desde sempre, falariam algumas bocas de boa perícia e eloqüência, mas o pulo do gato entre o saber e o fazer é que é difícil perceber, e está criada a singularidade de nossa existência e até que possamos explicá-la de forma eficaz leva tempo. Acredito que se conseguíssemos resolver essas pendências conosco mesmos, levaríamos os consultórios médicos a perfeita paz e tranqüilidade, e fábricas de remédios antidepressivos à falência.
Hoje pus um velho disco arranhado pra rodar aqui no computador, no entanto ele rodou sem sobressaltos, mesmo estando totalmente imprestável por fora e mesmo eu não dando nada por ele ele me surpreendeu ao reproduzir as belas canções dos meus momentos estranhos de alguns anos atrás. Ele está trazendo a chuva, mas de alguma forma dessa vez é diferente. Quando a chuva cai em solo erodido e provoca aqueles deslizamentos e enxurradas loucas, diz-se que ele está lixiviado – um solo imprestável e pobre – e a pobreza do espírito de alguns o deteriora mais. Porém com o tempo ganha-se maturidade e uma chuva por mais forte que seja e por mais tempo que caia, sempre trará fertilidade ao solo e aqueles que pereceram terão boas idéias e bons presságios, ah como é bom saber que o universo conspira a favor dele. Neste solo nascerá uma floresta que a cada outono florescerá, mas talvez meu espírito metódico pergunte – Mas e a primavera? - Então responderei a ele: A primavera quem faz somos nós e nem todas as plantas florescem na estação das flores e os corações daqueles que têm fé sempre será um terreno fértil para as boas idéias, afinal, se acreditamos em razões, aos bons olhos perspicazes, impossíveis, seremos sempre a exceção da regra, pois que nasceu para ser especial sempre o será.